de todas as geografias lidas na imensidão dos vales
muitas palavras se recolhem - os planos talvez altos
e os ângulos, talvez agudos, para que a escrita se una
nas pontas de fio a pavio de norte a sul e pelo meio
a sintaxe amorosa desprovida de latitude - é preciso
que alguém fale
talvez o tempo condicione a lentidão das montanhas
quando se erguem na paisagem: primeiro esbatidas,
depois os vales e as abruptas elevações; as coisas temidas
ainda o tempo ocasional que erguemos a despeito da precaução -
a próxima vela é tua: o fósforo e o sopro, a cera também, e se for o caso,
a chama é como uma medusa: em pedra ficarás se olhares e jamais serás
o outro que eras - (mas não fujas - acompanhar-te-á mais cedo)
há regras poéticas nesta situação geográfica que é a geometria (difusa)
de certos afectos; eu, tu e um campo semeado de silêncio e loura esperança
mas pelo meio, há a seiva rubra de algumas papoilas dispersas -
para viver a novidade é preciso fechar os olhos e beber todo o Sol
navegar com algumas nuvens soltas e abrir os braços à distância
depois, sem pressa, reunir todas as raízes e replantar o que cresce
nos solos aráveis - para o deserto ficam as plantas impossíveis
as meras miragens
bom dia, (hoje e sempre), boa Páscoa, boa e verdadeira vivência da Primavera,
boa passagem sobre a vida ao rés (próximo) do Sol
13.4.11
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