Estavas quase a chegar, meu amor, estiveste sempre a vir, vinhas logo, virias certamente muito prestes, mas não vieste
Sempre fui eu a ir, a correr comarcas e ribeiros, a passar pontes de palavras longas para passares sobre a sua trama escarlate
Flores ficaram em lugares escondidos, os caules envoltos em papelinhos pueris, as coisas que te dizia e vinham da minha pobre arte
Como aquela fonte (talvez cascata) que ainda guarda o meu perfil em espera, com o sol a acobrear-me os cabelos e tu sem vires, e tu sem veres
Os momentos passam, nós partimos, mas quem fomos ainda lá está
E tu sem vires e eu sempre a ir para cada vez mais longe das emoções
Que já não vêm, que tu não vens e eu quase não vou, porque quem fui é a sombra que cá está. E já chegou