Alimento a fome com pouca cousa. Basta-me ver o teu olhar, ouvir a tua voz e imaginar que a tua fala se projeta paralelamente ao meu ouvido, sem desvios, sem arcos em ogiva.
Na casa, a permanência é intermitente, como o farol do Bugio. Quando estou, escuto as ondas e espero por ti. Quando não estou, as ondas murmuram o teu nome. Mas tu perdeste a casa, como perdeste o brilho do olhar.
Grita por mim mais vezes, talvez te ouça, em vez de apenas ouvires as ondas, a voz seca das rosas.
Manda dizer um pregão pela aldeia, a anunciar que perdeste o caminho do meu ser, enquanto eu ando descalça pela vida, a jurar que eras tu, no outro dia, na esquina da tarde, a escutar, a olhar, a ver.