a todos os seres da madrugada, tanto os que sonham o dia, como os que embalam a noite, os insomnes, os doidos, os loucos, os bêbados, os operários que apanham por força maior o primeiro comboio da madrugada,
deixo o recado: somos unos na inquietude e há poesia bastante nos nossos atos, nos pensamentos que passam e voltam, aflitos ou encantados
estamos a meio da noite, à espera de um comboio que já passou ou que virá atrasado
mesmo assim alcançamos um lugar na transcendência do tempo, paramos, quem somos, de onde viemos, para que abismo caminhamos, onde acaba o imenso céu estrelado?
a poesia é o canto do primeiro pássaro que virá, sem falta, pontuar-nos os medos