O sonho mais sonhado de sempre, o encontro. O início, a fonte. {E nós já o sonhámos juntos e, por vezes, éramos apenas caminhantes de bolsos lisos}
Longe no tempo, no auge do sangue, eu lembro-me.
Foi assim:
Um homem busca um pouco de amor. Uma mulher também
Nas ruas e nos cafés o homem ou a mulher olham para quem não os vê, olham todos, {haverá alguém?} Ou então evitam ver quem realmente não veem.
Nunca ninguém lhes explicou as leis da atração, {se é que já foram doutrinadas}
Passam por quem os inviabiliza, os anula, porque não são vistos, apesar do seu andar tranquilamente líquido, deixando um rasto de solidão,
E pensam, {a invisibilidade é o seu modo de ser}
Tudo o que o homem quer é ser visto por alguém que lhe devolva a presença. A mulher também
Mergulhar nos seus olhos e parar nesse momento o silêncio
Apagar o rumor e a réplica do desprezo. {Talvez alguém, um dia}
Mas um dia, sim,
o homem é visto e vê quem o viu, como quando uma pedra rola e se detém noutra
Surpreendida por existir um ombro para si, a pedra fica e também vê. A história pode mesmo acabar aqui, mas não importa: fomos vistos
{Sonhámos juntos este encontro tanta vez!}