às vezes gostava de saber como se recolhem e expandem as palavras
e estas tanto exprimem poesia e algumas falácias,
como mostram as esquinas e os becos da vida
gostava de saber a verdade das palavras
para não voltar a bebê-las de um trago
as palavras deixam pó de mistificação
no travo morno da boca
e as mãos unidas e justas
de tão estendidas e fiéis
não alcançam muito mais
mas ficam: a afagar as palavras
como se elas pudessem ser a razão de tudo
quando fossem usadas
a poesia - uma muralha ornamentada
de roseiras bravas - intangíveis
um lenço garrido ao pescoço
como o sangue das vidas pintadas
no fio dúbio das palavras
(e eu entre as rosas e a muralha,
quero continuar a ser mais
e mais a tua amada)
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