a manhã começou a meio da noite
pingos de chuva na minha janela
o parapeito alagado, ping, ping, ping
o dia invernoso
daqueles de recear pôr o pé na rua
e eu retida no limbo do esquecimento
metáfora de mim, quando me receio
e me ausento para não me extravasar
num nimbo de vazio.
seja como for, o que importa hoje é a chuva
não o que não sei e me confunde
não o que não quero sentir e sinto
é a chuva que me congrega
uma só molécula de água
em suspenso no presente
é a certeza de que
o dia chora complacente
a cegueira e o lugar distante
e eu voltei do mar
fui e voltei - fiz-me tão leve...
trouxe mais pedras do mar
mas trouxe a incerteza também
há tanta coisa que não te sei dizer
deixa-me voltar a ser poética
e a encerrar este ciclo de desejo
(insuportável) de te querer
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