prados e prantos envoltos em verdura e o som límpido da cascata. sobre os meus ombros pesa a era antiga de dentro do coração. estamos alagados com espinhos e o matagal antigo que não desbravámos. neste espaço que desenhaste evocando-o, cabe a afirmação de uma crença que nunca haveria de morrer. ainda acredito na serra e nos lugares que ela tem para nos contar. sei-me filha daquele lugar, sempre soube que um dia algo dentro de mim haveria de nascer ou de morrer no seu âmago verde, entre o musgo e o silêncio. não sei de que falas tu. faço inferências que não comprovarei nunca. muitas vezes não sei qual a nervura da tua voz que se desprende do discurso indicativo. por isso o meu é um libelo exploratório onde me lanço às escuras sem saber onde te firo. se na verdade se na invenção pura dos meus sentidos. até escuto com a sensação de invadir o íntimo alheio de alguém que interceptei a meio de uma conversa transversal. e eu atrás da porta, talvez não no centro, na nervura emocionada da tua voz. nada sei. mas ouço-te com a limpidez do meu olhar ávido de te ver.
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