hoje há lírios à janela, embebidos no relento
hoje, escuta, é preciso recolher o olhar mais para dentro,
com o pudor do véu
hoje, para te amar com mais acento,
preciso de ignorar a Lua em seu altar de vento
e dependurar o luar na bruma de um mês rigoroso,
talvez novembro
é mesmo necessário que a bruma nos alimente?
que amor é este tão plano e tão brumoso, diz-me
porque não te vejo sempre?
há fins de tarde frios que nos distanciam
e só a humidade nos penetra a alma
com um halo de desencanto, talvez dezembro
é necessário acender mais sóis
nos caminhos que cruzamos
tu à minha frente e os meus olhos baixos
sem luz nem fogo urgente
porque todas as vezes que te vejo,
o sangue queima a terra que o sustenta
os olhos recolhem ângulos e traços,
gestos e reverências
tudo tão escondido e tão intenso
para que queremos o nevoeiro
se há já tanto silêncio?
em noites como esta
parece que os teus passos ficam
gravados a fogo e a incenso
no asfalto de cimento
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