12.6.11

sabes, meu amor? aquele vinco que a noite nos põe, quando buscamos sentido para as coisas e não achamos nenhum? quando queremos compreender a distância e não a entendemos. quando o corpo nos alonga e nós não chegamos e as mãos se inutilizam na dobra do lençol... querendo, querendo atingir o outro lado, na alba de uma nova realidade e tudo é saudade... ? a tua presença nestas noites é profunda e distante, próxima e íntima como a de uma divindade a quem rezasse. faz-me falta algo que te realize em mim, muito mais perto da boca e da orla do ouvido. falo-te com a minha vida entre os dedos, ganhei-a, guardo-a para que não se dissipe entre os grãos de areia. o que nos damos, queria que ficasse gravado no fundo da pele. com as mãos e os olhos em gume. 

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