20.3.19

dilema de Inês


se eu soubesse que eras tu, eu ia
onde me levasse a estrada
se eu soubesse que eras tu, decerto ia
onde fosse o lugar de encontrar-te

estaria, então, linda Inês que fosse,
posta no desassossego de olhar-te
enquanto dos meus olhos os teus
não apartasse

mas eu não sei se sou quem buscas
nem sequer se (me) buscas
ou se a ilusão me prende ao chão frio o seco
do tempo da leda novidade

eu serei Inês amada e Inês perdida
onde desaguar a estrada

no seu lugar estarei posta em sossego,
aos montes ensinando e às ervinhas
o nome de quem me fez amada
e nunca vinha

dir-me-ás se vou
ver a morte como ela viu
ao pousar como ave de arribação
junto aos jardins onde se perdeu
a que depois de morta
continuou a ser amada,
no lugar onde hoje se erguem prédios
e muros altos de uma longa estrada

eu vou. mas depois regresso e não terei,
por isso, mudado nada
é a ilusão que me conduz e, se não é,
diz-me tu, se há verdade na minha fala
ou se é a tua que me falta


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