19.3.19
o mistério de existirmos
por vezes há chuva na tua voz
e eu abrigo-me nela para te caber dentro
ou fico entre os rios que soltaste
para nos separarem por perto
desde o primeiro momento
que nome daremos a uma nuvem
que se armou sozinha contra o céu
dispersa e frágil, espalhou-a o vento
já não nos encontramos, amor,
como desejamos
que nome daremos
a este querer que não se cruza
a estas veias salinas secas ao sol
fala-me do que souberes sobre o mistério de existirmos
explica o que puderes do brilho dos meus olhos
quando te busco e te reconheço como luz no meu destino
podes vir iluminar comigo a primavera ~
mas vem ~ para me explicares a lua e outros mistérios
ou os meus sonhos clandestinos, porque eu não sei encontrar-te
estou presa na chuva e a tua voz escorre de mansinho
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