6.4.19
clara obscuridade
a interior idade, o claro obscuro
do dia, a tempestade (muda)
nem vento, nem chuva
nada que tenha substância e vida
o mundo parou lá fora
cá dentro parou também
as ruas opacas, os passos parados
a ampulheta corre para fora,
para o vácuo
o farol resiste a um mar destemperado
o tempo parou na súbita tarde
hoje é apenas um parágrafo
sem história dentro, nenhum facto
porém, é assim que a terra fica
depois das chuvas fortes e da sede saciada
lavada e fresca, imóvel e demorada
a preparar novas raizes que sairão
jovens e apaixonadas
histórias sem nexo
já foram levadas, as ruas brilham
com uma inocência pura, uma luz renovada
talvez seja assim que deixamos a vida
com um silêncio limpo na alma
na clara obscuridade da paz reencontrada
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