As noites na cidade são banais
Não ouço o mistério das aves
Nem sinto o que pode sentir
Quem ouve passos na estrada
O silêncio consome o corpo
Tudo se resume a nada
Em nada me comprimo
Deixo-me enrolar na onda
E o mar vem-me embalar
O nada ínfimo que sou rola
Entre a areia e o mar
Sou tão pouco e tão nada
Que a sensação de assim ser
Me seduz - o apagamento -
A catarse de não existir
A harmonia de harpas
Ao longe no entardecer
Desaparecer no centro da nuvem
Ou ser a nuvem e chover
Esvair qualquer matéria
Na substância única
Do não ser
Deixo-me ir
Entre a areia e o mar
O mar, a areia e o luar
Tudo que fui flui para partir
Sou apenas ar, raríssimo ar
E subi, subi, longe, longe de mim
Sem ter de chegar
Sem ter de chegar
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