26.5.19

no limiar do outro

Quando
começo eu em ti
E quanto acaba em mim o teu ser
Não sei dizer.

Do cabo ao pormontório
Só o mar sabe a distância.
Só o tempo é a medida
Da serenidade das águas
Do desassossego das vagas
Ou do mar que enfim recolhe
Para os limites das fráguas

Mas é o lugar do outro
posto no nosso lugar
Vive aí na ocultação da luz
Onde dois se fazem um
e os dois lhe chamam lar

Íncubos de todos os tempos,
Longe, perto ou por dentro,
No limiar do outro ou de si somente
Respira-se a vida e bebe-se
Amargamente o tempo

Qual dos dois fará primeiro
a fuga, meu amor, e a tragetória
de uma pedra arremessada
que seja de dentro para fora, depois
de fora para longe, mais longe ainda
e até sempre, pelos anais do tempo
e eternamente, porque amar-te longe
é ter-te perto demais no presente


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