17.5.19
o universo nos teus olhos
rasgo o discurso do amor
alguém risca os nomes da parede
e as nomeações impróprias proibidas
não quero acabar nesta enseada
nem fazer da palha poesia
bastam-me os lírios nas gavetas
a vida encarcerada em meros panos
enquanto os pombos me rasgam o ventre
e eu fico inerte nos meus sonhos
não, já não serei seduzida
mas quero suavizar as estradas
aplanar as lombas e ludibriar atalhos
porque de todas as viagens
a primeira será a última e não irei mais
de mãos cheias ao amor
e quero ainda fechar devagarinho
a noite dos poetas e as estrelas dos seus olhos
(o teu formoso olhar e a tua tela
viva em sangue - a tua tela de luar)
a voz rasgada que nego
e quero ouvir - dizer, falar
sim, é simples o meu querer
ver o universo nos teus olhos
(já tantas vezes o quis ver)
arder como candelabro louco
e depois... depois deixar-te ir
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