13.7.19
Os poemas não são sol, são sal
Quando acordo, penso em ti,
Com uma vaga dor oceânica
É a minha forma de mergulhar
No silêncio que me rasa
Uma capa densa envolve o dia
E o meu rosto anémico de sol
Absorve a humidade da poesia
Mas não há poemas tão leves
Que substituam o amor
A carne, a língua e os dentes
Os poemas não são sol, são sal
São loucos e indigentes
De uma ternura indizível
Se a dizes, não a sentes
Valem mais as mãos contentes
Que as palavras mais sábias
Mas quando o sol ante ti se deteve
Sacode o tapete, apanha as mágoas
E faz do pó algumas rosas
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