Ando há muito tempo a parafrasear a vida. Dá este exercício de caligrafia e zelo, esta reunião de areias quotidianas, onde pode até brilhar o sol.
Dizem que a arte é a imitação da vida, mas eu não sei nada de arte. Só sei que a vida pode imitar a arte. Por isso, buscamos tanto a perfeição.
Nessa busca, fomos deixando objetos nas lojas de penhores, sem sabermos o valor do que empenhámos. Podemos abrir o inventário devagar.
E eu, que não sou contabilista, prometo resgatar amorosamente um
objeto de cada vez. Ou deixar que façam pó, nas prateleiras do prestamista.
Até a vida nos parafrasear.
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