Sou muito simples ao pé dos poetas que dizem verdades acertadas. Eu só acerto as palavras com os sentimentos e mesmo assim desacerto-me de mim quando não sei mascarar a autenticidade.
Podia dizer coisas menos comuns, mas por que o faria quando o que quero mesmo dizer é que nunca me cansarei de esperar-te emoldurado no quadrado do postigo?
Podia sublinhar passagens e desenhar metáforas curiosas, mas para me dizer basta-me falar-te no eterno abraço do mar com a areia, coisa poderosa.
É o que somos. Um dos dois invectiva e recolhe. O outro absorve e filtra. Um recebe e devolve o beijo e o silêncio. O outro expande e amplia. E eu não sei qual dos dois sou no rubor da maresia.
Pois, se eu receber essa cadência, e tu fores mar e eu maré, que farei de mim, quando o teu corpo aquático me dispersar? Mas, por favor, podes continuar a ser mar?
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