29.7.19

Mar ou areia

Sou muito simples ao pé dos poetas que dizem verdades acertadas. Eu só acerto as palavras com os sentimentos e mesmo assim desacerto-me de mim quando não sei mascarar a autenticidade.

Podia dizer coisas menos comuns, mas por que o faria quando o que quero mesmo dizer é que nunca me cansarei de esperar-te emoldurado no quadrado do postigo?

Podia sublinhar passagens e desenhar metáforas curiosas, mas para me dizer basta-me falar-te no eterno abraço do mar com a areia, coisa poderosa.

É o que somos. Um dos dois invectiva e recolhe. O outro absorve e filtra. Um recebe e devolve o beijo e o silêncio. O outro expande e amplia. E eu não sei qual dos dois sou no rubor da maresia.

Pois, se eu receber essa cadência, e tu fores mar e eu maré, que farei de mim, quando  o teu corpo aquático me dispersar?  Mas, por favor, podes continuar a ser mar?



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