Não tenho consistência neste preciso momento em que me entretenho com as peripécias dos pássaros.
Parece que me estou a desligar dos telhados e das janelas e das antenas de televisão para onde olham os outros. Até a música da banda que acompanha a procissão me desarma.
Passado a mais, saudade urgente, o meu pai a marchar ao som da música, atrás da banda, quase com lágrimas nos olhos. O meu pai já não pode acertar o passo pela fanfarra e eu já não posso acertar o passo pelo coração.
Sinto-me alheia a quem fui. Ando feliz a olhar para os pássaros. E nesta solidão que escuto só existe a memória triste do meu pai dentro da música.
Amanhã mato todos os pássaros que se atravessarem entre nós.
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