Ainda temos o presente, meu amor. Qual presente? Um qualquer, desde que o tempo continue a reger o universo, sempre de trás para a frente.
Debruçados de um miradouro a sul, não temos nada antes nem depois. Soube-o agora mesmo, quando estava a pendurar um velho vestido de verão onde coube dantes o meu corpo e o teu olhar.
Temos o agora, um verão permanente com ecos de bichos prazenteiramente imersos na natureza. Somos felizes sob as oliveiras.
O verão não é só uma avenida onde os corpos quentes buscam bebidas com sabor a limão. É também a contemporização, o tempo em suspenso na ponta dos dedos.
Mas isso é irrelevante quando a minha água vem da concha das tuas mãos.
As tuas mãos são transparentes.
Mas o milagre maior é imaginar que vês, ouves e sentes o olhar, a voz e a pele que depois de inverno nos juntam na mesma sede.
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