31.7.19

Roupagem


Trepei o dia em diagonal, sempre vestida de musa para te tentar mas
em cada hora e em cada minuto
vieram as pessoas e as coisas do mundo
vestir-me de vizinha, mãe,
doméstica, cozinheira e, pior ainda, de contribuinte, aquela condição que afeta
o coração dos pobres como uma doença.

Porém, o coração dos pobres tem uma imensa fé na humanidade, é a humanidade que não tem fé nos pobres.
Adiante.

Sabe-se que há dias em que não serve de nada vestir certas roupinhas, sobretudo a de copista de emoções, porque o mundo não deixa lugar à contemporização do ser com o ser, do ser com o universo,  e, mais corriqueiramente,  com a feliz economia fiscal.

Palavras incompatíveis com o lirismo do formato literário - mas efeito do formato social que só deixa enriquecer os ricos.

Por isso, fracionei-me, sacudi as coimas com veemência e, dia e a noite, arrastei-me para o único lugar onde sei que posso ser apenas eu - contigo - com a única contraordenação de te amar em demasia.



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