2.8.19

Conchas

Não consigo separar as palavras do vento e da chuva ou do sol. Também não consigo escrever sem os bicos dos pássaros em radar e o papel e as suas asas aflitas no céu. A natureza sustenta-me as palavras todas.

Toda a escrita é circunstancial. Tem um tempo e um espaço. Só a poesia é retrospetiva e retrovertida. 

Porém eu escrevo o meu agora aqui. O dia que começa com o calor sentado nas dunas, pronto a enfrentar a maresia.

E eu que procuro fundir-me na paisagem,
em fuga do que sou.

Escrevo pouco. Prefiro parar pouco.
Mas busco conchas na praia, da mesma forma que busco os teus olhos na multidão.


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