Quando a casa fica em suspenso, na vertigem dos dias, também os móveis habitam o silêncio. A morte dá um passo mais todos os dias na ausência de movimento. Não arrastamos as cadeiras, nem temos batatas para descascar em conjunto, entre risos, entre gritos, e os livros que lemos não falam entre si. O passado ficou embrulhado em papel de jornal, esquadrinhado como peixe já só espinha. Sem porta que dê para o futuro, a fala vive de si mesma, é ela o seu próprio habitante. Não há referente comum a não ser a referência do amor, essa possibilidade adormecida.
De que havemos de falar que desperte a casa?
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Fúria dos deuses
Não digas nada. Escuta como é feroz este som da tempestade. Não perturbes o vendaval com o teu medo. Deixa-o largar a sua fúria até morrer. ...
Mensagens populares neste blogue
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Comecei a desaparecer suavemente, com a mesma anónima entrada que fiz no mundo Vi com estes olhos a ruína do mundo, o mover de lodos e areia...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio