Se a tua voz desembarcasse agora aqui no meu ouvido...
Ah, se a tua voz viesse viva visitar-me,
tremuras, silêncios aflitos,
a tua voz presa aos sentidos
e o coração junto às mãos, junto à boca
a bater nos lábios, à beijar o perigo,
Ah, meu amor, que diríamos então,
com a voz hesitante e pura, presa ao
pavilhāo profundo do ouvido?
E se nos tocássemos na voz, que feridas doces se abririam no corpo só, no corpo enclausurado, e como reagia?
E se um dia nos olharmos pelos olhos e riscarmos todas as lentes, ficaremos nus e unos, como dois cisnes num lago, talvez obviamente velhos, novos e contentes?
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