22.10.19

Ouve-me

Olha, ouve-me.
Tenho o coração tranquilo. Cultivo uma enunciaçāo breve, exata, leve e digo o que os sentidos tangem. Ouve-a.

Toco delicadamente o ar com a minha voz que nunca é ouvida, porque as vozes do mundo sāo altas e têm sempre razāo.

Mas tu, que me atentas, saberás aumentar o tom da evasão dentro de ti. Gira o botāo do coração para o modo do amor. Sintoniza digitalmente a frequência das māos que se tocam e ouve.

Porque é noite tardia, há rituais de voz e cor que sāo mais nítidos no escuro e essa transparência é a minha vulnerabilidade de mulher no leito onde deito delicadamente o sonho de te amar.

Agora que me ouves, podes fechar os olhos e adormecer no poema dos meus braços, no verso amplo do meu peito.

Sem mais metáforas, amor, recebe a tinta desta madrugada para te pintar o dia que vier. Que seja azul e verde a verdade que professas e que o sonho de sonhar nos aconteça.


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