30.12.19

Alcatrão

Há noites em que a folha em branco só tem o teu nome impresso nos dois lados, como filigrana de misteriosos traços.  Não sei especificar a imensidão do teu olhar nas meras palavras que tenho,  talvez  num desenho em alcatrão pintado, fizesse voar a tristeza dessa ave.  Não sei escrever o que tenho de calar e já é tão terrivelmente tarde... 

É a dor, a doída razão da tua ausência, a latejar no papel ao som destas palavras que te segredo, esperando que as não leias para não me lamentares devagarinho ao ouvido de outra: não consigo deixar de amar o teu lado triste no meu regaço, à sexta-feira,  junto ao declinar da minha boca.






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