É assim que adormeço, em porfia contra o tempo, a arrebatar momentos que a morte matou.
Aperto os dentes e trespasso a noite com a teimosia de viver, como se dormir fosse irrelevante, quando o dia me falhou e eu falhei a vida.
Vingo-me das horas úteis que não foram minhas. Mas depois os meus sonhos são meus. Sou vencida pela força de um inconsciente reparador.
Ontem sonhei contigo. Estou perto de ti. Não falamos, mas estás onde eu estou e os meus olhos cruzam o vento da madrugada para achar os teus. Vou com as aves.
Anilados reflexos de azul celeste, entre fiapos de sol, noivam com as nuvens. E essa natureza viva vem de ti inteiramente. Estou
no centro do universo e só te vejo.
Mas vejo-te. Que bom que é vencer o tempo, afinal. Roubar à vida o vislumbre do que, na perfeição da natureza, na harpa delicada do amor, vem limpo e real.
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