Dormes por dentro e o meu coração não se deita a ver-te dormir
Cobre-nos a nudez dos pensamentos, os meus pausados e lentos, os teus sonhos lentos e ousados
É apenas noite e ponte entre duas âncoras paradas. Move-me a estrada no que o tempo em ti sulcou.
Sei percorrer-te moço e belo, corpo e palavras. Trazes o contorno da ternura em traços transparentes de água.
Posso deixar agora que me escorram as memórias peito abaixo. É noite e o teu nome morrerá nos meus braços.
Choro baixinho, que nem os anjos ouçam, a dor de me fazeres falta. Era uma vez um amor que nasceu entre setas e farpas...
Tu sabes do arame em volta como um colar farpado. Mas esta noite só a tua pele me invade.
Tu dormes e eu estou mesmo aqui ao lado.
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