17.3.20

terra do pó

vem aqui para o canto penúmbreo
com uma nesga de sol nos meus cabelos

ao longe a serra (que) nos espera
como um sortilégio da memória

vem sentar-te aqui junto ao carvalho
imagina a sua sombra e o antigo olhar

trago-te novas da terra do pó
de um vinho velho e veloz
uma península para o amor
uma decantação pura de nós

sirvo-te o amor dentro do copo
e o pó da terra sabe ao sabor do rio
esse lépido rio de nós desenlaçados

mas onde bem podia ter começado a nossa história
"Foi nestas margens, num dia penúmbreo e abafado"
bebe neste copo o que resta das memórias

mas vem sentar-te aqui, muito ao meu lado
as palavras são banais demais
e os olhos andam cansados


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