19.4.20

pele interior

a nossa pele é interior, cerzida por fora com um fio de vida. não nos conhecemos

atravessam-nos anos passados e cearas desconhecidas com alguns pássaros famintos tão sozinhos

abrigamos o vento azul da primavera onde nos cresce alguma vida, sem água, sem rio e sem fonte

eu ouço-te no vento a voz antiga
aprendi a viver num relógio parado
no segundo vibrante da espada

conta-me como eram as delicadas madrugadas e as papoilas jovens
e como te tomaram a fala

essa voz que
risca o silêncio na pele das velhas casas, uma dança descalça entre nós e as muralhas

o sol no ângulo da sala e, depois, na noite fátua, erguia-se um pássaro magnífico que nos levava e isso era mais
alto que a distância que faltava


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