meu amor, as ruas desta cidade desconhecem o teu nome,
as escadas não são as mesmas, os olhares desceram para os andares mais baixos
só por um acaso feliz o amor nos encontra de novo no vão da mesma escada
eu não mais fumei os cigarros que me trazias das tuas viagens
nem sequer fumei os outros, que não tinham mais valor e vida do que o mero invólucro
igual para todos
mas ponho todas as noites a mesa para ti, um prato repeleto de paixão e uma sobremesa
sobre a mesa ao gosto acetinado das mãos
meu amor, os versos pendurados na cidade já esmaeceram na estação das chuvas
e agora são farrapos de luz com palavras apagadas pelo meio. leem-se horas e minutos
de uma vida longa que te dei
desculpa o chão que se abriu tão fundo, a cratera exata das nossas mãos
em busca um do outro. não ficaram os ossos, não, ficaram os corpos limpos
e depurados, os músculos acetinados com que nos prolongamos no amor
meu amor, meu amor, não conheço no mundo mais mãos que me prendam, mais olhos
que me afaguem, nem mais próxima distância do que a que nos impomos.
cada vez mais dentro. enquanto noite e lume houver
meu amor,
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