estas noites têm sido de frio, de um tiritar já esquecido como se o inverno se tivesse lentamente introduzido na minha pele
estas noites têm sido um novelo de sono profundamente fundo
o sono dos justos dos que caem para o lado numa espécie de submundo onde o sonho não está a tona mas desceu para o silêncio mais que profundo
estas noites têm acentuado a queda, a fuga, o nada absoluto, um mergulho no silêncio, uma forma lustral de fuga à consciência
a noite é crua, acentua a falta, o lugar vago, confunde amor com companhia
a noite é como uma luva que me passa no corpo e me tira o sono, é como uma boca que me prende e que me tira o fôlego, a vida à noite é um motim do corpo contra o fim
na manhã escura saio de casa com a noite salva na algibeira, com a dúvida e a incerteza calmamente amordaçadas e a sensação de ter submergido num lago de indiferença
porém, numa camada mais funda, a neve oculta a voz da pertença
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