mas eu gostava que as manhãs de domingo fossem uma estrada longa
e que andássemos nela até ser novamente véspera da manhã de domingo
tanto que fazer nas manhãs de domingo. amar, falar, escrever, limpar a alma
refogar a semana em lume brando e descolar devagarinho em direção à vida
não sou de fingir o que sinto. se estou calma, estou de pulsação leve, se estou alegre,
as palavras bailam, se estou triste, impossível embrulhar os sentidos em papel de seda
por isso, o meu silêncio corresponde à apatia comum aos seres, quando tudo
se torna complexo. é o tempo da assimilação das coisas e contrasta com o estrago ruidoso da alegria
o que tem isso a ver com as manhãs de domingo? nada. hoje estou apenas a desenhar o mundo ao meu jeito. gostava que a manhã de hoje fosse mesmo uma estrada que me descola do bulício do mundo
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