30.10.20

morrer à sexta-feira

é sexta-feira, morre muita gente à sexta-feira, à beira da fonte e sedentas, as pessoas vão-se, mais um dia e era sábado, melhor morrer ao domingo, melhor não morrer ainda com o beijo indetetável deste não-ser pegajoso que corrói por dentro, sei lá, há muito mundo louco, há gente que desatina, vegeta, perde a casa, perde alguém, há loucos que não querem saber, outros berram pelas ruas, mas afinal, o pior de tudo até é encurtar a curta vida, morrerem pessoas como moscas, em delírio e sobressalto e solitários na ida, no derradeiro momento. quase é pecado sentir a passagem do fogo e ficar na água, na ilusão do conforto, melhor mesmo é emparedar o corpo, o rosto, a alma, sendo certo que nenhum conforto impede a vinda daquela que nos leva na sua negra malha

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