Não te esqueci, como não esqueço as floreiras que deixei secar, não te esqueceria facilmente, não te ia esquecer tão de repente, eu que ainda me lembro das árvores que plantei uma por uma, aliás, nunca mais as vi, mas crescem no meu coração. Não te esquecerei, porque esquecer-te seria esquecer-me de mim, não, não, não te quero esquecer nunca, prefiro antes esquecer o mundo inteiro e todas as árvores e arbustos a esquecer-me de ti. Mas desisti, não vês? Levarei a dor no sangue da minha morte, mas gostar de ti neste tão frágil meio é estar debruçada numa ponte para te ver, estendo a mão e nunca te alcanço. A minha melancolia coincide com o a certeza de que nunca nos alcançaremos. E eu já não consigo dançar. Se me ensinasses a dançar, ensina-me a dançar, sim, como era tão fácil antes, mas também tu já só és o rio que nos leva. Deixamo-nos ir. Eu sei.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
A emoção
A emoção abriu a porta, entrou e ficou brevemente atenta. Uma sala sóbria e nela apenas uma cadeira e um homem. Compunham momentos idos num...
Mensagens populares neste blogue
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Comecei a desaparecer suavemente, com a mesma anónima entrada que fiz no mundo Vi com estes olhos a ruína do mundo, o mover de lodos e areia...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio