27.2.21

Redoma quebrada

Um homem devora a sua essência à medida que se inclina para a terra. Alimenta-se de si com a mesma intensidade com que se afasta da sua própria nascente. Um homem ou uma mulher podem habituar-se a viver enclausurados, a ponto de só se reconhecerem no círculo da clausura e, ainda assim, vagamente.

Sinto que estamos a chegar a essa fase das nossas vidas. Luto para te interpelar, para me interpelares, para nos interpelarmos, para mantermos acesa a palavra que nos enlaça na mesma lateralidade. Não é necessariamente amor. É para além do amor. É o único espaço fora de nós mesmos, é a possibilidade de inverter a clausura. Uma redoma quebrada. 

Não sei se subimos ou descemos, mas há um monte e o percurso podemos ser nós.


Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixa aqui um lírio

Recentemente...

Dia dos (Des)namorados

Não sei que diga nestes dias especiais. Não há dias felizes com marcação prévia como no cabeleireiro. Que sejam felizes os apaixonados. Os q...

Mensagens populares neste blogue