20.12.22

Círculo fechado

Eu sei. Sempre soube que me sabias com o exato rigor do compasso. Um círculo fechado, eu, e ninguém entra, às vezes ninguém sai, porque também ninguém entrou.

Sou eu que trago sombras para dentro a ponto de as sentir verdadeiras, vívidas e palpitantes.

Mas entrar, propriamente, entra o sonho e, devagarinho, sem pressa, também a morte. 

Sempre soube que me sabias na exata medida do tamanho do meu insignificante, trágico ser.

Também tu és sombra que introduzi, sem pedir licença, com a certeza de que me vias. E vês-me na minha dramática nudez, na ancestral solidão que me cobre. 

Talvez sejamos isso um para o outro. Olhamo-nos por dentro. E sabemo-nos, decalcamos as sombras, mas fora do círculo, nunca seremos.


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