25.4.23

Serpentes cegas

As horas deslizam serpentes cegas, horas serenas sem história 

Parece que me prendem à terra e me enraízam nas mais soberbas heras

Sinto a névoa sucinta, em minha volta, como pedras, as memórias descem fundas

Nem sequer estendo as mãos, a nada me oponho 

Levam-me, nem sei como, da casa bela dos sonhos

Meu amor, afundo-me, vês, e nem sequer me oponho

Desculpa, não sei como foi que já não tenho sonhos,

Nada se passa, entendes, e eu à tona, respiro, não sei se vivo se morro

Se apenas a poesia me deixou de mão dada com o sonho

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