5.12.10

chuva de rosas



amaina a tempestade
e um leito cheio de silêncio
transporta agora os pensamentos
para aquela enseada de saudade
onde a chuva que ficou
embebe a terra e os sentidos
com a sua prece de igreja
repetida, chorada e lenta
e eu estou enfim contigo

gosto da chuva
e é sabido que o seu som
nos lava a pele da fadiga

o sangue é como a chuva
ao fluir constante da vida
desmaia palavras esquecidas
e todas se vertem
derramadamente inúteis
embebidas na mesma terra
onde se tempera a solidão
e a espera

eu sei
o som da chuva por vezes
lembra pétalas macias
de penas puras de aves esguias
afloram-nos
nuvens de pensamentos pródigos
já não sei o que querem de mim
os sonhos de chuva, ela que é doce e fria,
pesada às vezes como liga de metais duros

não sei que quer de mim
o torpor da chuva,
esta distância onde o amor e o silêncio
são emoções que guardamos
como fuga e poesia - fora do tempo

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