22.12.10

Boas Festas, com muito amor, sempre!




Toda a noite a chuva tombou, como chumbo, nos prédios da cidade. Era uma chuva una e forte, uma massa de água conjunta que parecia vir para derrubar o mundo. São tempos agrestes, em que até as intempéries nos castigam. Por isso, quando amanhece entre sol e nuvens, quando o frio se esbate e o dia nos sorri, suspiramos e esquecemos a inquietação e voltamos a querer expandir o nosso olhar por todas as coisas vivas e reais. Hoje assalta-me uma vontade enorme de suavizar o sofrimento que sei ser para muitos o prolongamento da noite, sem nunca se esbater. Gostava de poder dar as mãos a mais gente, mas começo pelos que dependem de mim e já são muitos. Neste Natal quero dar muito conforto aos meus idosos e doentes, uns ainda conscientes e trémulos, outros já não. A minha mãe, que fui retirar quase moribunda de um lar e que consegui pôr boa novamente, a bisavó que é agora um bebé feliz, a outra avó que ainda é uma força forte com que conto e a madrinha, que combate em silêncio os mais recentes avanços de uma doença daquelas que não perdoa.  Quero dar segurança e proporcionar muita magia aos mais pequenos e manter junto a mim pelo máximo de tempo o meu menino grande que já tem asas e cruza literalmente os céus em rotas inquietantes (para mim). Vou confeccionar alegria e bem-estar  juntando, na cozinha, os ingredientes que fazem crescer água na boca e confortar o sangue e espalhar pela casa os aromas, as luzes, o azevinho, o brilho raro dos momentos em que tudo pára e nos olhamos de frente, ligados por uma mesma corrente de tréguas no tempo. Esta é a célula egoísta, esta é a festa mais egoísta que conheço, apesar das correntes solidárias e das doações que fazemos. Por isso, amplio o meu círculo e deixo um sorriso imenso, uma força maior e mais extensa que possa chegar onde for necessária. São precisos pilares, mãos cuidadosas, gente que consegue ser mais gente e retirar destes dias os ensinamentos necessários. Estamos juntos. Somos uma humanidade que tenta sobreviver à barbárie, à desagregação social, ao caos iminente. Que pelo menos consigamos estar unidos, numa cadeia de amor, em silêncio, gravemente convictos de que só o amor verdadeiro nos pode salvar, nem só nestes momentos, mas sempre, fazendo-nos pilares dos mais fracos, enquanto a força nos assista e a saúde nos sustente.

Boas festas... para ti!

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