25.2.11

sempre achei que à noite
as cidades encolhem sob o silêncio
quando nem corujas, nem outras aves nocturnas
interrompem o sono do betão

por isso é que gosto que haja vento
e que este varra a Lua lá no alto
e varra as nuvens todas
e nos limpe, só para nós,
o azul do firmamento

não demores a noite dentro de ti
deixa que nos cubra ambos no mesmo lençol
que este seja brando e sedoso
como a nossa pele

porque tu és um murmúrio
tão leve como o vento
tão fresco como as árvores
secreto como a coruja
íntimo como a penumbra

escuto-te meu amigo
nesta imobilidade que cultivo
enquanto te espero
e me faço esperar
como se esperando por ti e pelo vento
iludisse os minutos sem sentido
num relógio sem ponteiros

espero-te para fechar a noite
e abrir o coração
permeável ao teu gesto
e para te dizer que, sejas quem fores,
habitas as alturas mais sublimes
no meu pensamento aberto

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