sempre achei que à noite
as cidades encolhem sob o silêncio
quando nem corujas, nem outras aves nocturnas
interrompem o sono do betão
por isso é que gosto que haja vento
e que este varra a Lua lá no alto
e varra as nuvens todas
e nos limpe, só para nós,
o azul do firmamento
não demores a noite dentro de ti
deixa que nos cubra ambos no mesmo lençol
que este seja brando e sedoso
como a nossa pele
porque tu és um murmúrio
tão leve como o vento
tão fresco como as árvores
secreto como a coruja
íntimo como a penumbra
escuto-te meu amigo
nesta imobilidade que cultivo
enquanto te espero
e me faço esperar
como se esperando por ti e pelo vento
iludisse os minutos sem sentido
num relógio sem ponteiros
espero-te para fechar a noite
e abrir o coração
permeável ao teu gesto
e para te dizer que, sejas quem fores,
habitas as alturas mais sublimes
no meu pensamento aberto
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Preciso de aprender a chegar, porque agora só sei não ir. Se não vou, como chego? Sente o amor que puderes pelos seres viventes, que eu desc...
Mensagens populares neste blogue
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Comecei a desaparecer suavemente, com a mesma anónima entrada que fiz no mundo Vi com estes olhos a ruína do mundo, o mover de lodos e areia...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio