não conto o tempo que nos foge
mesmo que não existíssemos
o tempo continuaria a correr como louco
para um fim, ou para um novo princípio
conto o tempo que se prolonga
na obscuridade em que te declinas
deixar-me-ás passar a minha ponte
sozinha, sem conhecer das tuas mãos
as ténues linhas, ou os sulcos dos teus olhos,
as luzes que se te acendem nas pupilas
nunca saberei a razão por que te escondes
passarei sozinha para o outro lado
com a vaga sensação de uma sombra
ou de um toque profundo inacabado
.

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