27.3.11

o tempo, sempre o tempo.
e o silêncio do bastidor e do bordado

os ângulos do quarto e as aranhas tecedeiras
repara na penumbra onde passa a bobine
com o filme da nossa vida inteira


os momentos passados entre sílabas
e esperanças e esperas impossíveis
morrer para renascer de promessas
maiores e verdadeiras

são apenas fragmentos
voam em estilhaços na nossa pele
como a luz que se amplia na neve

é apenas uma noite de Sábado
de um dia húmido
e todas as janelas fechadas
todos os espelhos selados
de todas as respostas

em noites assim já fomos espinhos e rosas
e o nosso coração segurou a noite
sem sangrar a seiva das flores

em noites assim a solidão já foi maior
porque a cidade se ampliou

porque nos perdemos sobre o sol

mas eu sempre te encontro
e sempre te renovo

e em noites como estas
já houve desertos a unir-nos

e a amplitude de faróis
a desenhar-nos rumos

mas o tempo, mas o tempo...
e o bastidor do silêncio e do bordado
esta tapeçaria que desfaço quando escrevo
para manter a espera sempre viva e o desejo

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