o tempo, sempre o tempo.
e o silêncio do bastidor e do bordado
os ângulos do quarto e as aranhas tecedeiras
repara na penumbra onde passa a bobine
com o filme da nossa vida inteira
os momentos passados entre sílabas
e esperanças e esperas impossíveis
morrer para renascer de promessas
maiores e verdadeiras
são apenas fragmentos
voam em estilhaços na nossa pele
como a luz que se amplia na neve
é apenas uma noite de Sábado
de um dia húmido
e todas as janelas fechadas
todos os espelhos selados
de todas as respostas
em noites assim já fomos espinhos e rosas
e o nosso coração segurou a noite
sem sangrar a seiva das flores
em noites assim a solidão já foi maior
porque a cidade se ampliou
porque nos perdemos sobre o sol
mas eu sempre te encontro
e sempre te renovo
e em noites como estas
já houve desertos a unir-nos
e a amplitude de faróis
a desenhar-nos rumos
mas o tempo, mas o tempo...
e o bastidor do silêncio e do bordado
esta tapeçaria que desfaço quando escrevo
para manter a espera sempre viva e o desejo
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