15.3.11

sonho diurno

A tarde hoje apanhou-me na sua concha silenciosa: os cortinados de marfim suavizados por rubras rosas, a manta forrada de frio polar, uma tentação rosa lívida, o manto das tuas mãos que abertas vieram ver-me, um ventríloquo dentro de mim, a falar mar e momentos de luz, a viver a outra vida, a que não tenho, foi assim que a tarde me levou. Havia fogo de artifício e o lugar era alto, para tudo vermos. Não sei quem me vivia nessa altitude, apenas sei que era ampla e abarcava o mundo e não havia nenhuma armada ao nosso encontro, nem a peste negra dos mares, ou o fantasma de algum poeta morto. perdi a tarde para o trabalho, mas ganhei-a para o sonho e para a tranquilidade de te saber de volta (onde estiveste?) e mais do que nunca terno e carinhoso.

 

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