7.4.11


pintura de Guilherme D'Almeida
 

está uma noite de Lua maior, mas minguante, ou talvez crescente, (não tive tempo de olhar); empenhei-me em sentir a noite estival, absolutamente feérica, depois de um dia escaldante em que os corpos e as paredes se saturaram de Sol. também a face, na essência do olhar que não filtra o tanto que o dia rasga. sim, foi um dia muito extenso, mas passei-o sem me dar conta de que passava, com a lonjura aberta ao alcance dos dedos. parecia que o céu estava mais perto e que o ar nos envolvia com uma película suave. mas nas salas, ninguém faz ideia, a fornalha do ar saturado, a inércia nos membros, (e tanta sombra) - a urgência nas árvores do exterior - e de silêncio uma sede funda. depois veio a noite e eu não a vi chegar, novamente numa sala, sempre na clausura, a transpiração na voz, o estudo, o trabalho, tudo tão entardecido... finalmente cá fora estava a noite à minha espera. como a descrevi: um desembarcar súbito na magia das luzes, o canto altíssimo das estrelas e o regresso. encontrar-te foi a certeza de te esperar. estavas na noite, etereamente, tão distante quanto a Lua, tão oculto quanto as ondas magnéticas da música que então julguei ouvir.

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