25.4.11

noite de cristal, quando os olhos se amplificam
na escuridão

tantas palavras que interrogamos e nos deixam
sem a resposta - a mesma que já sabemos

como pudemos pendurar o coração num friso de luar
e esperar que venha no vento a voz do outro
balançar-nos devagar, içados no vazio


tão frágil fio de som, fortes as mãos,
barcos que se buscam - naufrágios seguros
em porto de vida

mas diz-me, tu que buscas as mesmas rosas raras
que os poetas buscam, diz-me, como as extrais das noites
e te elevas para um lugar feliz?

que mais buscas compreender na noite tão explícita?


e se eu um dia compreender, tudo o que ainda
não compreendeste, será que compreendo o que ainda
não compreendi?

segura-me o coração, detém-mo em ti, que não bata mais
se não souber ser explícito e fiel. depois adormece-o.
inocente e feliz.

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