a manhã chegou cedo, lavada de luz, num claro fascínio das plantas em crescimento. tenho um feijoeiro que nasceu de um feijão esquecido num boião molhado. estas coisas também acontecem na cidade, tal a força da natureza quando quer "ser". assisti ao crescimento da planta apenas em água. dava-lhe sol de manhã, sombra pela tarde. depois arranquei um punhado de terra às plantas do prédio e coloquei a plantinha num vaso. agora, visa o céu na sua teimosia de existir. grande, encosta-se à janela e fica a mirar, melancolicamente, a verdura dos campos, onde seria mais um entre tantos feijoeiros que lá se plantassem. mas não está só. agora começou a dar flores e são lindos botões cor de rosa. muito pálidos, porque é essa a cor que a natureza lhes dá em qualquer lado onde despontem. e o Sol hoje veio banhar a minha planta. e a mim, veio desejar-me um dia feliz, porque na claridade de um dia assim, todas as coisas são felizes. até o trabalho, até a ausência, até a distância, até a nossa forma de estar no mundo, a crescermos sós, mas juntos, eu e tu, planta e flor, caule e raiz, plantados em terras destinadas pelos deuses da fortuna e Chronos, esse implacável destinador.
Bom dia e o sorriso
das minhas flores!
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