6.4.11

a páginas tantas lia-se tudo sem entrelinhas e a voz vinha directa ao coração. e depois do brilho no olhar, aclarava-se a voz para repetir uma e outra vez o já dito e então produzia-se o disparo do coração em rotações amplas, como um carrocel e tudo em redor quente, quente, mais macio do que um chão de nuvens.  a páginas tantas, olharias dentro de mim e verterias o teu olhar no fundo do meu coração. parava tudo e tu, a páginas tantas, havias de rir e de abraçar a minha perturbação pueril. mais tarde pensaríamos, foi ali,  pois o momento ficaria para sempre como o pisar do risco, para lá do risco, sem o risco estar presente. faltava algo, mas nenhum de nós se lembraria do quê. a páginas tantas, o poema engrossou os despojos e as memórias formaram um limbo de voz, cálida, macia, espinal, um toque de cristal na apatia. a páginas tantas, rasgataste o passado. ainda não sei quem és, mas sei que és. por ti também, eu tudo.


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