6.4.11

e eu é mais o mistério a concha sempre fechada, o desabar da chuva em progressão, quanto mais longe mais perto, e mais intensa, quanto menos audível. as credenciais sobre a mesa, tapadas, um movimento cego teu nas minhas antenas de ave faz-se autêntico. e sei de onde vem a água que bebo. recolectores. de momentos urgentes, deitados para fora na ânsia de ser, agora só estatística laboriosa, qual a de cronistas que se perderam a meio do relato. e sempre este vento a zurzir a noite, a lembrar que entre todas as ausências, a maior é ainda a dos sinais que a noite traz. de repente, mesmo que a alba já tenha embarcado para o alto mar. ou não, porque a vida se suspende no presente, sem que o sangue vença e se arme o esperado incêndio: agora vou, desculpa, mas tenho de apanhar o barco. levo-te comigo, mas venço-me na batalha e assim o escuro vem para me levar, mas é-me dócil, porque não me leva só. e mais uma vez, deixando um rasto de espuma na voz, se abre o caminho para a nossa estrela, onde não cabe inteiro o nome que nos une.

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