é verdade que já não encanto
nem me encanto tanto com a paixão
agora encanto-me
com um canto que é um fio sereno e murmurante
que já não se ouve em vales e montes
e corre para a mesma fonte
a de sempre, agora como dantes,
mas sem a pressa das correntes
nem o bulício das marés
encanto-me com a tua presença
no teu lado, noutro quadrante
e, como uma amanhã perfumada,
hoje és mais do que antes
é verdade que o que foi já está distante
mas hoje tropecei com a minha pele
estava reluzente e viva
algures perdida nas terras de ninguém
recolhi-a
talvez não devesse vesti-la
se já não é assim
que nos faz o tempo
quando nos molda o volume
do sangue e depois nos solta
nada mais que partículas de pó
cintilante a planar perdidas
no universo
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