para além dos cortinados, em doce creme banhado pela luz do dia, move-se uma inexpugnável fronteira de silêncio. o céu e as nuvens devem ter uma cor assim, quando os alcançarmos. por fim. sabe-me bem o sabor desta luz e o deslizar do tempo, como uma barco num lago azul, de madrugada, pelo sonho a dentro, a barca que me leva devagar para os lugares mais planos do universo, onde tudo sucede sem arestas, sem declives, sem sobressaltos, sem minutos, sem a passagem súbita do tempo.
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