1.4.11

bucólica

na onda do teu olhar, velejamos longe, meu amor
em barcos feitos do mais leve lume
enquanto as nossas mãos livres se unem
 
deita o teu rosto no meu colo, sob as laranjeiras
como Pedro com Inês à soalheira
ou sob as tílias, se preferes o zumbido das abelhas
bebe o odor, ouve o silêncio, aspira a hortênsia
que a terra te envia, mensageira de uma nova paz
cuja raiz é branca e intensa

abarca com o teu olhar o meu
na paisagem distante dos novos dias
permanece-me perto, onde a o gaio e a cotovia
emitem seus avisos matinais
virão ainda mais primaveras e secretas maresias
e nós estaremos juntos de mãos dadas como ramos
a eternidade presente nos sorrisos que nos damos

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